Depende da idade de quem responde. Pra mim, por exemplo, arte tem um sentido mais trivial do que tinha 25 anos atrás.

Platão conta que Sócrates questionou a um ancião que dava uma festa, qual a melhor coisa da velhice.

 — Se libertar das paixões, teria respondido o anfitrião.

Entendo isso agora. Sempre tive um expectativa apaixonada em relação à arte. Pra mim essa faculdade tinha a obrigação de ser transformadora. Tinha de ser difícil. Intransigivelmente, exigente.

Hoje estou mais descançado. Qualquer composição que atraia, mesmo por um segundo, a atenção de alguém, tá valendo.

É inútil a Crítica querer julgar a vontade de um fãque ouve sempre um mesmo tipo repetitivo de música. Há uma química entre eles que parece funcionar.

Alguns artistas ainda acham que sua produção deveria carregar alguma mensagem reveladora, mesmo que formal, mesmo que estética.

Ok. Falo sério. Mas isso hoje me soa a presunção.

Me vem à memória o poema A Máquina do Mundo do Drummond de Andrade.

Longo texto em versos em que ele revela seus afãs de conhecer as engrenagens por trás de tudo.

Ambições que no entanto, ao longo da vida, foram ficando pelo caminho.

Um dia, já velho, caminhando por uma rua de Itabira, do nada, desvela-se no firmamento a revelação de tudo.

Drummond olha aqilobtudo, mas não se surpreende. Dá meia volta e segue caminhando. Agora é tarde.

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