Meu Primo Renato veio com a família passar uns dias com a gente nesse verão.

Junto com eles, lembranças de décadas e décadas atrás, quando a família passava as tardes sentada à mesa recheada de receitas da vó, da tia, da tia-vó, da bisavó.

A saudade daqueles almoços, que emendavam com as jantas, mexeu com o coração da gente. Entre as receitas, recordamos a da de carne de onça, hoje meio fora de moda, mas que ainda é servida nos botequins do centro de Curitiba.

Renato explicou que a família dele, do lado de lá, de origem alemã, também adorava carne de onça, mas que chamava de hackepeter. Ele garatiu que entre uma receita e outra há variações que só quem teve avó cozinheira pode saber. E prometeu, pro dia seguinte, matar a saudade da gente,

De manhã saímos Copacabana adentro à caça de um minucioso pedaço de coxão mole. Encontramos um açougueiro sensível que limpou toda a peça pra gente. Com todo carinho moeu duas vezes. Na saída do moedor, a carne deslizava como se fosse mina d´água.

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A receita levou salsinha e cebola picadas. Molho inglês e whisky – pra surpresa de Zé Motta, que começou a desconfiar.

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Tudo pronto? Não! Pra quem não sabe de nada a preparação do hackepeter termina à mesa.

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Quando o prato chegou, só se ouvia silêncio. Havia um furo no meio daquele pudim de carne temperadíssima, por cima do qual Renato quebrou um ovo, misturando com gema e tudo.IMG_2077

 O pão veio quentinho do forno.

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Na mala, Renato tinha trazido excelentes cervejas curitibanas – top ten em qualquer lista de quem entende.

Sente só:

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livro serve como espelho de nossos valores e cacoetes

livro serve como espelho de nossos valores e cacoetes

Tô terminando de ler. Mas ainda não consegui responder a dúvida que Malu lança no prólogo: Quem é Eike Batista?

“Um mentiroso compulsivo ou um empreendedor genial? Um nacionalista empenhado no progresso do país ou um egocêntrico sem limites e sem moral? Um homem à frente do seu tempo ou um estelionatário?”

Até começo a duvidar se vou encontrar a resposta na última página. Pouco importa. O livro tem muito mais.

Conheci muita gente com perfil igual ao de Eike. Gente ambiciosa, sem escrúpulo nem limite. Nunca me enganaram. Mas sempre me surpreendem pela capacidade de sedução. Pelo poder de arregimentar admiradores em torno dos próprios interesses.

Alguns bem-sucedidos, outros que se estrumbicaram na própria vaidade. (Dias atrás, um tipo desses me mandou um beijo por intermédio de um amigo em comum, pedindo para passássemos uma borracha no passado. Então, tá, ehin.)

Não dá pra deixar de notar também que, no meio de tanta bajulação e cinismo, o livro da Malu, acabada servindo como um espelho, refletindo valores e cacoetes nacionais.

Na imagem refletida, dá pra ver uma gente deslumbrada, pouco propensa ao dia-a-dia, que acaba, como Eike, acreditando que sempre vai ter um Eliezer para salvar aos 46 do segundo tempo.

Na hora do aperto, é o sobrenatural que comanda, como Malu escreve no capítulo “Barata voa”, sobre a ´terapeuta e filósofa´ que chega na última hora e, depois de aferir a energia da sede da empresa, manda trocar o lado para o qual o sol da logomarca da EBX tem de girar.

Em meio ao furdunço que a exotérica causou, a rígida secretária da presidência, foi obrigada a trazer a equipe à razão: “A fofoca maliciosa e o boato negativo são sintomas de uma empresa que não está coesa. Espero que tenha esclarecido as dúvidas de todos e explicado que a filósofa não é mãe de santo.”

Ê, ê!

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