13254038_10153629174298339_4699973235431381189_n

Rogério Godinho apresentando o “Projeto Nunca na Solidão”

O primeiro encontro de formação promovido pela Rede DF, em 2016, aconteceu na noite de sexta-feira (20), no Espaço Arildo Dória, no Conic.

O jornalista e escritor Rogério Godinho apresentou seu mini-curso “Nunca na Solidão”, que na verdade acabou virando uma roda de conversa, com as cerca de 30 pessoas que se interessaram, entre filiados e curiosos.

O “Projeto Nunca na Solidão” nasceu a partir da publicação de um livro homônimo de Godinho que usa a biografia do empresário e vereador paulista Ricardo Young para discutir o que é a “nova política”, representatividade e caminhos para uma sociedade mais justa, igualitária e feliz.

Durante a palestra, Godinho debateu sobre a atitude ética, desde a filosofia clássica até o pensamento atual, passando por Kant, Maquiavel e Hannah Aredt, entre outros. Mas sempre com o foco na política.

Para ele, a grande contradição dos partidos políticos é como continuar democráticos, sem concentrar informação e poder. “É só olhar na história, partidos tendem à burocracia, depois à oligarquia, depois ao autoritarismo. Como lidar com isso?”

Godinho acha que esse é um desafio para o qual ainda há poucas soluções, mas diz estar convencido que o caminho para um partido que fuja das práticas vigentes teria de levar em consideração cinco valores: democracia interna, horizontalidade, inteligência coletiva, transparência e tempo de análise, ética e afetividade.

Durante sua fala, Godinho deixou claro que não é filiado à Rede Sustentabilidade, mas admite que “só ela e o Movimento Raiz estão focados em discutir Nova Política.”

Também disse tampouco acreditar que a Nova Política possa ser monopolizada por apenas um espectro ideológico. Para ele, o debate entre direita ou esquerda não interessa à Nova Política: “Não tem nada a ver com o espectro ideológico”, explica. “Nova política é uma maneira de você organizar o debate político e a organização democrática”, conclui.

  • Nova política é uma maneira de você organizar o debate político e a organização democrática

O escritor abriu para o debate e respondeu a perguntas sobre a atualidade e futuro da Rede Sustentabilidade. Disse que seus filiados têm um desafio enorme, “uma contradição até”, porque, embora todo mundo queira mais democracia, “o cidadão médio simplesmente não gosta de participar. Se pudesse, a maioria sequer votaria. E, fora do período eleitoral, prefere esquecer que a política existe”, conclui ele, se utilizando das dedução de pensadores como Platão e Tocqueville.

Ao final Godinho lançou um desafio para os filiados da Rede: “Nesse momento, sugiro a você que definam claramente uma identidade para a Rede Sustentabilidade. E encontrem os meios para dialogar com a população”.

Comentário

Dentre os presentes, participou do debate Cristiano Carvalho, morador de Águas Claras. Ele conta que ficou sabendo doencontro e decidiu ir, mesmo sem ser filiado à Rede DF. Disse que gostou da palestra, sobre tudo porque é  estudioso do tema Complexidade – premissa de pensamento por meio da qual Godinho problematiza a Nova Política.

IMG_0090.JPGRogério Godiho: O futuro da rede é um grande desafio

Godinho tem andado pelo Brasil difundindo suas ideias. Na semana que passou, sua agenda teve, além da palestra aqui em Brasília, um curso em Carapicuíba/SP sobre formação política para filiados da Rede.

Para entrar em contato com o autor para palestras e cursos: www.rogeriogodinho.com.br

Livro

2

Ao explorar a gênese de um novo pensamento no campo político mundial, o livro conta a história do empresário Ricardo Young, descrevendo também a grandiosa jornada intelectual que o Brasil percorreu nas últimas cinco décadas – desde o golpe de 1964 à abertura política, o fim da ditadura e retomada da democracia, até as últimas disputas para a presidência, culminando com esta acirrada eleição que Baseada nos conceitos de ética, sustentabilidade, transparência, inteligência e participação coletivas, a Nova Política se destaca como tendência global, com especial força na Europa. Em nosso país, Ricardo Young representa uma das figuras centrais dessa corrente.

Empreendedor bem sucedido, desmistificou a imagem comum dos empresários como pessoas preocupadas apenas com o lucro, ao se posicionar publicamente apoiando projetos e iniciativas sociais, em torno de ideias que vão ao encontro da Nova Política. “É gente que consegue combinar a ousadia de empreender com a capacidade de permanecer aprendiz. A trajetória de sua vida, por isso, é sempre coletiva e diz respeito à cidade, à nação, à humanidade.”, nas palavras da ambientalista e ex-senadora Marina Silva, uma das personalidades que apresentam o livro.

Quem quiser encomendar o livro, pode conseguir pela internet: aqui.

 

Texto originalmente publicado no site da Rede Sustantabilidade DF

cordilheira na mesa

Terminei Cordilheira de Daniel Galera. Autor campeão de tiragem de livros de ficção.

Percebi o tão badalado talento do cara. Ele sabe montar um personagem. Conhece os traquejos para uma narrativa concisa.

Há tempos queria ler alguma coisa dele. Desde o dia que uma querida amiga me confessou que a narrativa de Galera lhe tirava o fôlego.

Encontrei este exemplar aí da foto, por R$ 5,00, numa barraquinha que vende livros usados na saída do metrô de Botafogo.

Pelo que vi em Cordilheira, Galera é um ótimo autor do que se chama hoje de romancista de formação ou autoficção – que seria fazer ficção da própria vida.

O problema é justamente esse. Essa fórmula já encheu. O próprio conceito de romance de formação está desgastado. No passado, foi muito usado para discutir outros temas. E parece agora estar sendo usado para rebatizar velhas teorias, cujo debate também já acabou há décadas.

Explico. Quando leio alguma coisa referente a tal da autoficção,  parece que estou voltando 60 anos para discutir o nouveau roman, na França.

Guardo até hoje fotocópias que circulavam na faculdade dos textos que Robbe-Grillet publicou no L’express, nos anos 60, teorizando sobre a então nova moda de olhar para o próprio umbigo para explicar o mundo.

Nesses artigos, posteriormente reunidos em livro, mas que, acho, nunca foram publicados no Brasil, Grillet não parece chegar a um acordo consigo mesmo. Ele próprio um nouveau romancista.

pour-un-nouveau-roman-de-alain-robbe-grillet-928460408_L

Capa de uma edição francesa de “Por um Novo Romance”

Admito que nunca me acertei Marguerite Youcenar. Tampouco gostei de Les Gommes, do próprio Grillet. Acho que eles faziam um arremedo das obras dos mestres modernos, como Flauber ou Joyce. Seus livros repetiam esquemas que eles julgavam encontrar na leitura desses clássicos da literatura moderna.

O que não era verdade. Quando lemos esses mestres, nunca identificamos esses esquemas. O que encontramos, é um mergulho profundo nos cânones literários – semente de toda literatura.

Já os tais nouveaus romancistas pareciam buscar nas próprias experiências, por mais pobre e solitárias que fossem, o mundinho de possibilidades viciadas para a construção de seus personagens.

Hanna Arendt discutiu isso quando escreveu sobre cultura de massa, que ela considerava conseqüência da realidade opressora daqueles tempos. Mas admitia que o “entretenimento de massa” tinha lá seu propósito: num mundo de pessoas solitárias e sem acesso aos objetos culturais.

Cordilheira é exemplo disso.

A certa altura do livro, um de seus personagens tem a pachorra de defender que “autores de segunda linha tendem a ser mais autênticos porque têm menos capacidade de maquiar a individualidade do que os move a escrever”.

É possível? Não. Não é.

Pra mim, se trata justamente do contrário: quanto menor o controle sobre o que se escreve, maior a chance de o autor se perder em vícios e platitudes.

Não vou negar que me distraí com a personagem principal do livro, Anita, jovem escritora de sucesso, que passa o tempo todo fazendo confissões de adolescente.

foto: Patrícia del Rey

Patrícia del rey, como Anita – clicada por ela mesma

Era engraçado. Mas, quando lia Cordilheira, tinha a impressão de que assistia a um reality show sobre o dia a dia de Daniel Galera.

No lugar de Anita, só via a figura dele, Galera, narrando de forma blasé, sua temporada em Buenos Aires. (Onde ficou para escrever esse livro, a convite da editora.)

Pagina após página, ia matando minha curiosidade de saber como deve ser a vida de alguém da minha geração, que ganha a vida escrevendo ficção.

O dia dele em Buenos Aires era de matar de inveja. Todos os dias, devia acordar, tomar um café com medialunas doces. E depois perder-se pela cidade, buscando inspiração para o livro. Visitava pontos turísticos, frequentava shows de rock. Badalava nas milongas e points de pegação da capital portenha.

Isso rende alguma literatura? Pra mim, não. No máximo, garante mais um produto da indústria cultural, fadado a vender centenas de exemplares e amealhar convites para palestras em feiras de livro – onde vai dar as mesmas respostas para as perguntas de sempre.

Não que isso seja ruim. (Juro que não quero ser sarcástico.) O próprio Galera já escreveu sobre isso na Piaui, num perfil sobre ele mesmo, mostrando como é o dia a dia de um escritor de ficção brasileiro, com contrato editorial.

Mas acho que isso é justamente o que a academia sueca alega, quando nega o Nobel de literatura aos escritores norte-americanos atuais. Para ela, esses caras não passam de cativos da própria cultura de massa que produzem.

Capturar.PNG

Sebo do Natal, em Botafogo/RJ, onde encontrei um exemplar de Cordilheira, de Daniel Galera

 

 

 

 

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 4.652 outros seguidores